Esporte em família

 

Esporte em família - Praticar atividades físicas junto com os filhos é uma forma de estimular as crianças a se movimentarem desde cedo e de aprofundar as relações da família  

Virou bordão dizer que as crianças não brincam mais na rua devido à falta de segurança nas cidades e que a diversão está sendo substituída pelos videogames. As afirmações infelizmente são fato e se transformaram em problema mundial. Porém, não podemos nos esquecer de que os exercícios físicos são ingrediente essencial para a vida, a saúde e a sociabilidade tanto dos pequenos quanto dos mais crescidos. Então, por que não unir o útil ao agradável e começar a mexer o corpo junto com seus filhos? Isso sim é que é dar exemplo. E, quem diria, comprovado cientificamente. Uma pesquisa feita na Universidade de San Diego, Califórnia, concluiu que filhos de mães ativas têm duas vezes mais chances de serem ativos do que os de mães sedentárias. Essa probabilidade salta para três vezes e meia quando se trata de o pai ser o cheio de energia e para quase seis quando ambos praticam atividades físicas. Mais do que servir de referência, quando os pais também entram na brincadeira estão agarrando a oportunidade de passar mais tempo com os filhos, de conversar, rir e superar dificuldades juntos. O que só faz o relacionamento ganhar em força e cumplicidade. Hoje, os pais trabalham fora, estão sempre correndo. É legal reservar um horário para praticar atividades juntos. Dizer a partir de agora, todo sábado vamos jogar futebol, ou todo domingo vamos andar no parque. Você acaba criando uma tradição na família, diz a psicoterapeuta Betina Serson, de São Paulo.

 

Quer mais argumentos? Ao contrário do que se possa pensar, a educação física na escola não supre a necessidade de exercícios para uma criança. Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos concluiu que, nessas aulas, apenas 20% do tempo é dedicado à prática de exercícios. O restante é gasto com chamada dos alunos, formação dos grupos, explicações da prática. A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de que as crianças pratiquem ao menos uma hora de atividades físicas, de nível moderado a vigoroso, cinco vezes por semana. Portanto, apenas o colégio não dá conta do recado. É aí que os pais entram. Confira a seguir que tipos de atividades físicas você pode praticar com seus filhos, de acordo com a idade deles, e mãos à obra.

O estímulo ao corpo começa quando os filhos ainda são bebês. Nos primeiros meses de vida, os pais devem mexer pernas e braços da criança e incentivá-la a se movimentar quando ela começa a engatinhar, pegar objetos e dar os primeiros passos, diz Mauro Guizelini, professor da Faculdade de Educação Física da Uni - FMU. Esse roteiro se repete até cerca de 2 anos, quando a criança adquire autonomia motora. Daí até os 6 anos, ela descobre e aperfeiçoa aptidões como andar, correr, saltar, arremessar, rolar, equilibrar. Além de fortalecer a musculatura e o crescimento dos ossos, essas ações estimulam os ciclos hormonais do organismo, regulando o crescimento e a qualidade do sono e da atividade. Nessa fase, a criança não tem padrão motor para praticar esportes com seriedade, mas é um período muito rico, de alfabetização do movimento, diz Arnaldo José Hernandez, chefe do Grupo de Medicina do Esporte do Hospital das Clínicas de São Paulo.


O QUE FAZER:

- Natação para pais e bebês, praticada de forma recreativa. A criança faz força para se manter boiando, batendo os braços e as pernas e trabalha a respiração.

- Ioga para mães e bebês a partir dos 3 meses de idade. O pequeno fica apoiado na mãe enquanto ela pratica posturas de ioga que fortalecem os músculos usados no parto. Ele também faz posturas, manipulado pela mãe.

- Brinque de pega-pega, amarelinha, esconde-esconde. A partir dos 4 anos, a criança já entende regras básicas. Introduza a queimada, o rouba-bandeira.

- Use um minigol ou uma rede de vôlei baixa. A criança não vai aprender a jogar vôlei, mas vai saber que tem de arremessar a bola para o lado de lá da rede. Atenção: não adianta só diminuir o tamanho dos equipamentos e submeter seu filho a regras e exigências além de sua capacidade.

Link da fonte  
Revista Vida Simples – Editora Abril – Edição AGO/2007